terça-feira, 14 de abril de 2009

Biografia do Trance

O trance psicodélico (ou psy trance) é uma forma de música eletrônica desenvolvida no fim dos anos 1980 em Israel a partir do Goa trance. Este estilo tem uma batida rápida, além da batida forte de kick, que algumas vezes difere da batida do techno por ter um alcance de freqüência um pouco mais alto além dos sons graves. O trance psicodélico é freqüentemente tocado em festivais ao ar livre (longe de grandes centros urbanos), que podem durar vários dias, com a música tocando 24 horas por dia.

O surgimento do estilo no Brasil
Em Trancoso, sul da Bahia, reduto hippie dos anos 1960 e 1970, o trance psicodélico apareceu no final da década de 1980, logo após seu desenvolvimento em Goa, com a vinda de estrangeiros. Já na década seguinte, apareciam as primeiras raves no estado de São Paulo. No final dos anos 1990 e início do século XXI, no Brasil o estilo se tornou popular com diversos festivais e festas reunindo mais de vinte mil pessoas ocorrendo ao longo do ano e em diversas metrópoles do país, e cada vez mais ganhando aceitação do público em geral. Grandes artistas como GMS, Infected Mushroom, Skazi, Eskimo, Talamasca vêm freqüentemente ao país, às vezes mais de três vezes ao ano em festivais como Orbital, Experience, Tribe, entre muitos outros.

Vertentes do estilo
É um dos mais populares estilos de música eletrônica nos últimos anos, e vem sendo tocado desde raves específicas para este estilo até clubes mais comerciais. É bastante psicodélico, tendo como característica principal a idéia de transe em que o ouvinte entra, embalado pelas linhas repetidas ao longo das batidas da música. Desde o seu surgimento, o trance
já passou por várias mudanças. De acordo com os detalhes em sua estrutura, podem ser dos estilos Progressive, Dark e Psychodelic, entre outros. Cada vertente tornou-se independente, formando uma escola para os artistas envolvidos. Sendo assim, é possível acompanhar a evolução da cena psicodélica em particular.
Dentro da cena atual, a produção de música eletrônica é abundante e rica em qualidade, dividindo-se nitidamente em três fortes correntes principais: Full On, Progressive e Dark.

Full On

É a vertente mais pesada e rápida do Psy Trance. Seus baixos são corridos com muitas variações de tons e por uma grande oscilação entre momentos de euforia total e melodias bem trabalhadas. É sem dúvida um som que tem um apelo dançante. É extrovertido e convidativo à expressão corporal da dança. Seus elementos vão entrando, cada um em seu tempo, até que a música enche, e então explode. Alguns da vertente são o Absolum, Alien Project, Rafa aka Hibotic, GMS, Fuzzy Project, Infected Mushroom, Logic Bomb,Phantasmatic, Duo Sensuality, Sesto Sento, Parasense, Astrix, Talamasca, Sub6, 1200 Mics, Eskimo,Ganjasonic,Growling Machines e Dynamic.
O Full On se divide em:

Morning: sub-vertente que é mais comum no período da manhã nas festas, com muito groove e muita melodia. A maior parte dos "mornings" vem de Israel. Artistas como Astrix, Vibe Tribe, Melicia, Psydrop, DNA e Sesto Sento apostam no "morning" com seus ritmos altamente melódicos. Expoentes de "morning" de outros países também se destacam, como por exemplo, o Protoculture (África do Sul), Bamboo Forest (França) e Orbital Vision (Brasil).

High Tech: sub-vertente muito comum no período da tarde nas festas, é derivado do morning, e tem mais efeitos eletrônicos. Os maiores produtores de "high tech" são Israelenses como Perplex, Phanatic, Freedom Fighters, Ananda Shake, tendo outros bons produtores de várias nacionalidades.

Night: sub-vertente que se destaca pelo mix de elementos do Dark Trance (batidas pesadas, sintetizadores sombrios) com um ritmo mais acelerado, poucas melodias e é mais dançante. O projeto mais conhecido de night, embora muitos o considerem "dark" é o Shift. Alguns artistas da sub-vertente: Winter Demon, Azax Syndrom, Damage, Seroxat, Iron Madness, Neuromotor, Menog, Abomination e Fungus Funk.

Groove: sub-vertente que não distingue "night" ou "morning", tem como principal idealizador o projeto francês Talamasca é bem aceita em qualquer horário, utiliza também muito sintetizador, muita explosão, linhas de baixo mais encorpadas e pesadas de fácil assimilação. Projetos como "Shove", "Flip Flopt", "Twenty Eight", "The First Stone", "Overclock", "Mental Broadcast", Intelabeam, Rampage, Wrecked Machines, Audio-X, Element Project e Freakulizer são alguns exemplos.

Progressive

Vertente mais calma, lenta e extremamente lisérgica do Psy Trance. A oscilação é deixada de lado, o som é mais constante, retilíneo e crescente. É uma música introspectiva, que busca equalizar as ondas do cérebro, e assim, chegar a um estado meditativo da dança. É o som típico de fim de tarde no qual, depois do Dark e do Full On, é muito aceita para descansar o corpo e a mente. Tem um kick bem leve e um baixo bem grooveado, passando por diversos tons que empolgam seu ritmo dançante. Exemplos são os produtores do Beat Bizarre, Zion in Mad, Metapher, Bitmonx, Ace Ventura, Ticon e Atmos. O "prog" mescla várias vertentes e sub-vertentes da música eletrônica podendo caminhar entre o prog house, prog psy e prog dark, estando todos englobados no mesmo estilo (não há como classificar ou haveriam nomenclaturas enormes do tipo minimal-progressive-electro-breaks).
Dark

Vertente que possui um caráter sombrio, escuro e sinistro, ao contrário do Morning Trance que tem melodias bem alegres. Caracteriza-se por apresentar efeitos curtos e rápidos apresenta amostras de sons macabros de filmes como: gritos, risadas, sons de animais e interjeições. Geralmente se ouve nas noites das festas. Além disto, apresenta sintetizadores característicos de efeitos de terror em filmes e cada música tem um compasso bem diferenciado, podendo ser dançante ou não (nos casos mais pesados ou muito acelerados).

Todas essas vertentes se completam, cada uma com seu momento dentro do ritual. A celebração psicodélica precisa tanto dos momentos de euforia e dança que o Full On proporciona no auge da festa, assim como do som barulhento e sinistro do Dark, além dos insights meditativos do Progressive após a energia ser trabalhada. Tudo no seu tempo e com muita harmonia.


“Podem nos chamar de loucos mas se a nossa música não tem letra há uma razão. (...) Nossa música diz tudo sem falar nada!”

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